E o ferryboat? Saiba o destino após a inauguração da Ponte de Guaratuba
E o ferryboat? Saiba o destino após a inauguração da Ponte de Guaratuba
A Ponte de Guaratuba, esperada pela comunidade e pelos veranistas, é uma realidade e que já tem inclusive data para ser inaugurada: 29 de abril. No entanto, com ela uma era se encerra, a do ferryboat, que por 66 anos, foi a forma de travessia que havia entre os municípios de Matinhos e Guaratuba, ambos no litoral do Paraná.
Apesar dos transtornos e filas que se formavam durante as temporadas, o ferryboat, que desde 1960 faz a travessia, vai deixar saudade em alguns paranaenses.
O ferryboat que ainda opera e só deve encerrar as atividades após a inauguração da ponte, trabalha com seis embarcações e registra tráfego médio anual de 1,3 milhão de veículos.
O que diz o contrato do ferryboat
De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), o contrato emergencial feito com a empresa Internacional Marítima, assinado em 2023, vai acabar, mas os funcionários que trabalham em Guaratuba poderão ser realocados para outras operações da Internacional Marítima.
Antes do ferryboat, a única forma de Guaratuba ser acessada por terra era via Santa Catarina, por Garuva. Segundo as informações do governo, 40 milhões de veículos já transitaram no ferry.
Neste último ano, a empresa responsável pelo ferryboat, se despediu. Na página da rede social, a empresa afirma que “o pôr do sol na travessia de Guaratuba nunca foi só um trajeto.
Foi pausa, foi rotina, foi história acontecendo todos os dias — entre idas e vindas, entre quem chegava e quem voltava”, diz a postagem.
“O sol se põe… e leva junto memórias que vão ficar pra sempre”.
Como era o primeiro ferryboat?
O primeiro ferryboat a fazer a travessia na Baía de Guaratuba é de 1960, criado pelo governador Moisés Lupion. A embarcação era de madeira, media 27 metros de comprimento por 10 metros de largura e contava com dois motores GM de 130 cavalos.
“Tinha sanitário a bordo, beliche na casa de navegação para dormir e armário com fogareiro para alimentação”, conta João James de Oliveira Alves, mais conhecido como Seu Janjão. “O nome do barco era ‘Engenheiro Ayrton Cornelsen’. Transportava dez automóveis e um caminhão leve. Não passava ônibus.”
Natural de São Francisco do Sul, município catarinense, Janjão chegou ao Litoral do Paraná através do convite de um amigo, cujo irmão procurava alguém experiente com embarcações para comandar o serviço de travessia. “Perguntei para ele o que era ferry boat, no que ele me explicou que era um barco que atravessa os carros na Baía de Guaratuba, de um lado para o outro. Na hora eu disse sim”, recorda, sobre o dia que mudaria sua vida para sempre.
Durante a elaboração dos estudos ambientais da nova Ponte de Guaratuba, no Litoral, pesquisadores observaram que a travessia do ferryboat apresentava impacto à fauna marinha local.
O trânsito intenso do ferryboat causava ruído antropogênico (criado por atividade humana) subaquático na baía. Isso, de acordo com os estudos, é um fator negativo e de grande relevância no comportamento de cetáceos, grupo de animais formado por golfinhos, botos e baleias.
Fonte: Bem Paraná